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Entrevista Estúdio 41: “A industrialização deve ser um processo natural”

Inspiração, Instalações e Equipamentos, Projeto, Sistemas Construtivos, Urbanismo
07/06/2016
O IABPR conversou com Emerson Vidigal, um dos sócios do Estúdio 41 e palestrante da primeira edição do evento Café com Arquiteto, sobre o tema da Industrialização.

O evento Café com Arquiteto, promovido pelo IABPR, começou em alto nível. Na primeira edição do ano, o evento contou com um dos escritórios de arquitetura mais ganhadores de concursos de arquitetura no Brasil. Trata-se do Estúdio 41, que tem em seu currículo, entre outros, o projeto da Estação do Brasil na Antártica. No Café com Arquiteto, um dos sócios do escritório, o arquiteto e professor Emerson Vidigal falou sobre um tema cada vez mais utilizado nos canteiros de obras pelo mundo por oferecer redução final de custos e padronização na construção: o processo da industrialização.

O Café com Arquiteto contou com o patrocínio da Pormade Portas, que fez uma apresentação antes da palestra do Emerson, explicando de que forma esses conceitos estão disponíveis para o segmento das Portas.

Confira abaixo a entrevista com Emerson Vidigal (Estúdio 41):

Como o Estúdio 41 implementa a industrialização nos projetos?
Emerson Vidigal: Procuramos pensar quais processos industrializados podem favorecer a execução daquela obra especificamente. O lugar, o programa, as questões postas pelo cliente, isso tudo pode sugerir diretrizes para a pré-fabricação de componentes, por exemplo.

A industrialização ainda não é um conceito largamente utilizado na construção civil. Por que esse motivo?
EV: A industrialização de sistemas e componentes vem sendo implantada aos poucos no Brasil. Acho que esse processo deve ser natural, não adianta querer industrializar tudo se não temos mão de obra para trabalhar com sistemas complexos. Não vemos a industrialização como um objetivo, ela deve ser ponderada em cada situação. Em muitas vezes, técnicas simples, mais artesanais mesmo, podem ser um ótimo caminho.

Por ser ainda pouco utilizado, como acontece o processo de convencimento para o cliente (ou em concurso) de que vale a pena utilizar a industrialização?
EV: Para o cliente se apresentam as vantagens, mas a palavra final sobre o orçamento é sempre dele. Os processos construtivos industrializados, em geral, têm um custo inicial maior, muitas vezes compensado pela agilidade da obra. É preciso pesquisar, como afirmei anteriormente, não fazemos apologia da possibilidade de industrialização como algo que vá resolver todos os problemas de uma obra. Preferimos analisar caso a caso onde é possível entrar com esse tipo de processo.

Onde vocês encontram os fornecedores?
EV: Os fornecedores são encontrados na pesquisa inicial que fazemos para cada projeto. Não temos uma lista específica, ela varia conforme cada situação. Em determinado projeto, um tipo de material pode se mostrar mais viável, aplicações em madeira, por exemplo, mas isso não vale para todos os casos. O arquiteto tem o papel de entender qual a melhor solução tecnológica para cada problema específico.

Vi que existem partes do projeto executadas na China. Por que isso? Como ocorre a essa “tradução” (tanto na língua portuguesa, quanto em relação à padrões de medidas, segurança, entre outros)?
EV: Isso diz respeito ao projeto da Estação Antártica Comandante Ferraz. Foi feita uma licitação internacional e venceu uma empresa construtora chinesa, a CEIEC. O resultado foi definido em função do menor preço de execução. Não estamos acompanhando a obra, pois o nosso contrato dizia respeito somente à elaboração do projeto. Até onde sabemos, as comunicações entre o cliente e a
construtora ocorrem em inglês. Quanto às questões de segurança, o que diz respeito ao projeto seguiu normas brasileiras e internacionais. Já quanto à obra, não temos como afirmar, pois, como mencionei, não temos contrato para acompanhar essa etapa do processo.

O histórico do Estúdio 41 sugere que vocês conseguiram encontrar um caminho para a produção autoral de arquitetura dentro dos concursos. Existe uma metodologia específica para concursos? Qual é?
EV: Entendo que as pessoas busquem uma fórmula mágica para serem bem sucedidas em determinadas situações profissionais, como é o caso dos concursos de arquitetura. Mas, pelo menos da nossa parte, não acreditamos na ideia de método, ou receita, para a arquitetura.
Na maior parte do tempo é uma luta para lidar com tudo que envolve o projeto e buscar o entendimento de quais questões teremos que abordar.

Qual é o projeto que vocês estão trabalhando nesse momento? Já tem fotos pra apresentar?
EV: Estamos trabalhando na Operação Urbana Consorciada da Água Branca, em São Paulo. Isso está tomando bastante do nosso tempo, mas ainda não temos fotos para divulgar, só as imagens da época do concurso que estão no nosso site.

 

Saiba como foi o evento Café com Arquiteto abaixo.

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