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Vidros especiais e eficiência energética em edificações

Artigos, Conforto Ambiental, Projeto
26/09/2016
Artigo do professor e pesquisador do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Fernando Simon Westphal

Nas últimas décadas, o uso de sistemas de fachadas em pele de vidro ganhou destaque na arquitetura corporativa no Brasil. Embora altamente criticadas por acadêmicos e pesquisadores em conforto ambiental, as fachadas envidraçadas têm sido escolhidas como opção mais viável frente aos sistemas convencionais em alvenaria e janelas encaixilhadas. Entre os principais motivos por essa escolha cita-se a maior velocidade na execução da obra e o forte apelo estético dos prédios contemporâneos.

Mesmo nos grandes centros urbanos, recentemente o projeto arquitetônico de edifícios corporativos busca garantir maior integração entre o ambiente interno e o externo, possibilitando o contato das pessoas com a rotina diária da cidade e, principalmente, o acesso à luz natural. Dessa forma, edifícios com maior área transparente nas fachadas têm maior procura para locação e venda. Garantir alto desempenho ambiental com fachadas envidraçadas nas condições climáticas brasileiras exige cuidados especiais na fase de projeto para a correta especificação dos produtos que irão compor essas fachadas. Inevitavelmente, vidros de controle solar devem ser utilizados.

(…) edifícios com maior área transparente nas fachadas têm maior procura para locação e venda.

Atualmente, os fabricantes de vidro plano instalados no Brasil podem produzir ou fornecer qualquer especificação de vidro de controle solar também encontrada no exterior. Os vidros de controle solar são aqueles que recebem um revestimento metálico em uma de suas faces, e que funciona como um filtro à radiação solar, podendo fazer com que o vidro permita maior transferência de luz do que calor. O revestimento de controle solar dos vidros é realizado por um processo de alta tecnologia, no qual se aplica uma fina camada de partículas nanométricas de metais (diâmetros da ordem de um milésimo da espessura de um fio de cabelo), sendo invisível a olho nu. Esse revestimento não deve ser confundido com as tradicionais películas utilizadas em veículos automotores, pois é uma camada impregnada ao vidro ainda na fábrica.

Dependendo das características do projeto, pode-se optar por vidros mais transparentes, ou mais refletivos. Qualquer que seja a necessidade estética, a solução deve ser compatível com as necessidades de desempenho térmico e eficiência energética resultante da fachada. Como os vidros representam a principal parcela de ganho de calor pela fachada, o conhecimento das propriedades físicas do vidro é fundamental para o sucesso do projeto, seja para garantir bom aproveitamento da luz natural ou reduzir o ganho de calor.

Pensando num clima quente como o característico de boa parte do Brasil, deve-se procurar projetar fachadas de edifícios comerciais com área de transparência que não ultrapasse 40% da área total, e utilizar vidros com fator solar abaixo de 35% e transmissão luminosa em torno de 40%. Isso significa que a área transparente da fachada permitirá a passagem de apenas 35% do calor da radiação solar e 40% da transmissão de luz. Com essas proporções tem-se bom contato com o exterior, acesso a luz natural e ganho equilibrado de calor. A parcela de vidro que reveste paredes e estrutura deve receber tratamento térmico adequado.

(…) deve-se procurar projetar fachadas de edifícios comerciais com área de transparência que não ultrapasse 40% da área total, e utilizar vidros com fator solar abaixo de 35% e transmissão luminosa em torno de 40%

Edifícios residenciais possuem em geral, menor área de janela, portanto a busca por vidros de controle solar ainda é pequena. No entanto, é crescente o número de projetos que possuem sacadas envidraçadas. Além disso, estudos por simulação computacional mostram que mesmo em esquadrias com venezianas, o uso de vidros de controle solar pode reduzir em até 20% o consumo de energia para condicionamento de ar em residências. Por isso, também em residências, é crescente a opção por vidros especiais.


Autor: Fernando Simon Westphal

 

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