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Projetar é preciso

Artigos, Projeto, Urbanismo
17/10/2016
Artigo do Luiz Fernando Janot, Conselheiro Federal do CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), publicado originalmente em Projeto Design na Edição 433.

Se a situação econômica do Brasil não anda lá essas coisas, imagina o estado em que se encontram as finanças da população. Porém, agora, não adianta chorar sobre o leite derramado. Há que se deixar de lado o pessimismo que tomou conta da sociedade e buscar novos meios para reverter esse quadro desolador.

Produzir urbanismo e arquitetura de boa qualidade é inerente à construção de cidades mais justas e mais equânimes para os seus cidadãos.

Para nós, arquitetos e urbanistas, a saída passa necessariamente pela retomada do desenvolvimento urbano em suas múltiplas formas de expressão. Produzir urbanismo e arquitetura de boa qualidade é inerente à construção de cidades mais justas e mais equânimes para os seus cidadãos.

Sabemos que as cidades reproduzem no tecido urbano os diferentes modelos de civilização estratificados ao longo da história. No Brasil essas representações costumam revelar expressivos contrastes sociais e econômicos. Alguns deles visivelmente explicitados na forma de ilhas de riqueza cercadas de pobreza por todos os lados.

Reverter essa questão social para criar um ambiente urbano mais solidário é tarefa urgente para a sociedade e para os arquitetos e urbanistas conscientes dessa grave situação. Não dá mais para ficar discutindo apenas o sexo dos anjos enquanto a vida em nossas cidades se deteriora em escala assustadora.

Temos que agir antes que a degradação urbana prospere e tome conta definitivamente dos espaços públicos. Nesse sentido, ratificamos os termos do “pacto pela cidade” apresentado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/ BR), em conjunto com as entidades representativas da nossa categoria profissional, aos candidatos a prefeito nas próximas eleições.

É preciso, portanto, reagir contra esse pragmatismo de resultados imediatos que se instalou na sociedade brasileira como paradigma de gestão eficiente.

Solidariamente, denunciamos o imediatismo que predomina atualmente nas administrações públicas e que impede o planejamento sob uma perspectiva de longo prazo. É preciso, portanto, reagir contra esse pragmatismo de resultados imediatos que se instalou na sociedade brasileira como paradigma de gestão eficiente.

Esse conceito, associado ao mercantilismo exacerbado, vem comprometendo as estratégias de pensar as cidades de forma mais séria e aprofundada. A prática de transferir para a iniciativa privada a responsabilidade pela gestão de algumas áreas urbanas – muito comum nos dias de hoje – não deixa de ser uma forma de prevaricação por parte do poder público.

Com eleições municipais à vista, entendemos que é chegada a hora de botar o bloco na rua e mostrar a quem possa interessar que os arquitetos e urbanistas não fogem da luta, e muito menos das suas responsabilidades.

Na contramão dessa tendência, sugerimos a criação de governanças metropolitanas e de institutos municipais de planejamento urbano integrado, ambos, com o objetivo de estudar, avaliar, viabilizar, propor e agenciar projetos urbanísticos e arquitetônicos para as nossas cidades. De preferência, através de concursos públicos.

Alerta-se, contudo, que essas iniciativas exigem o esforço e o comprometimento solidário das prefeituras, dos governos de estado e da iniciativa privada. Com eleições municipais à vista, entendemos que é chegada a hora de botar o bloco na rua e mostrar a quem possa interessar que os arquitetos e urbanistas não fogem da luta, e muito menos das suas responsabilidades.


Luiz Fernando Janot, Conselheiro Federal do CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil)

Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 433

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