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Dubai: A tradição islâmica entre a luxúria

Artigos, Conforto Ambiental, Projeto, Urbanismo
23/02/2017
A arquiteta paranaense Sheila Carina Veroneze inaugura a coluna: "Olhar de Arquiteto" no Portal IAB/PR contando suas impressões sobre a arquitetura e o desenvolvimento de Dubai.

Um dos sete mais populosos emirados dos árabes, Dubai traz a mente de qualquer ocidental palavras como: luxo e riqueza; e são estes os fatores que norteiam a maioria dos projetos e edificações por aqui.

A predominância da religião muçulmana destaca uma condição nos projetos e edificações. Basta caminhar por qualquer área de uso comum, sejam elas estações de trem, aeroportos, centros de entretenimento ou até mesmo shoppings, para perceber características físicas peculiares e constantes nessas edificações, como colunas, arcos e cúpulas majestosas, porem o imprescindível é o uso de determinadas “salas” em anexo disponibilizadas para abrigar os fieis em suas orações diárias, levando sempre em consideração que essa área, obrigatoriamente, é dividida entre homens e mulheres.

Um dos meios de locomoção utilizados em Dubai é o metrô. Sua estrutura desenvolvida pelo escritório de arquitetura Aedas foi inaugurada no ano de 2009, este também conta com duas cabines separadas entre homens e mulheres, tudo isso porque a religião islâmica acredita que as mulheres deverão ter contato com seu futuro parceiro somente após o casamento. Existe um respeito e uma distancia constante entre homens e mulheres por aqui, independente da nacionalidade ou da religião.

Hoje são mais de mil mesquitas construídas em Dubai e elas seguem o estilo da arquitetura islâmica, muitas vezes diferenciando-se pelo uso de materiais de alto valor financeiro, tendo tamanho e cores variadas. A seguir, uma ilustração da terceira maior mesquita do mundo, chamada Sheikh Zayed localizada em Abu Dhabi que tem capacidade para 40 mil fieis. Essa estrutura possui 80 cúpulas brancas e mais de 1 mil colunas cobertas de mármore branco, para compor este espaço 1200 artesãs fabricaram o maior tapete do mundo para uma de suas salas. A entrada de mulheres e permitida na condição de cobrirem o corpo com véus e capas disponíveis na entrada da mesquita.

 

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O ícone destacado mundialmente de Dubai é a torre Burj Khalifa, com seus 828 metros de altura e 160 andares sendo atualmente a construção mais alta do mundo assinada pelo arquiteto Adrian Smith.

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Entre todas essas mesquitas, torres que arranham o céu e seus fiéis habitantes, a grande atração que faz desse lugar único é o contraste entre a parte “tradicional árabe” e a diversidade dos projetos contemporâneos na área central, que conseguem carregar de luxúria e extravagância um pais conservador.

Os emirados detêm de governadores com visões ambiciosas, mas que nunca esquecem de manter como base o uso os pontos fundamentais do islã. Avanço e tradição tentam caminhar juntos nesse país banhado pelo golfo Pérsico onde “ascensão” lhe surpreende em cada esquina literalmente. A cidade cresce, os centros se intensificam com maior número de pessoas, vias automobilísticas e em meio ao barulho resultante desse rápido desenvolvimento, eu ouço aqui, da minha janela, a Adhan (sinal de convocação para reza), importante estágio no ritual antes das cinco rezas diárias de um muçulmano, que consegue difundir em tempo e espaço confuso um momento espiritual único e milenar.

Shukraan (obrigado).


Sheila Carina Veroneze é arquiteta e urbanista (UNIPAR – Universidade Paranaense – Cascavel/PR). Cursou arquitetura de interiores na Universidade de Cleveland (Estados Unidos) e vive em Dubai.

  • Mande também sua impressão sobre a arquitetura de lugares que viajou e conheceu! contato@iabpr.org.br

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