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Corrupção custou R$ 300 bilhões em obras

Artigos, Projeto, Urbanismo
06/06/2017
Nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 18 obras realizadas pelo Governo Federal, houve 136% de aumento de custos e 132% de aumento de prazo. Mesmo assim, 15 delas não estão prontas até hoje.

O programa Fantástico, da TV Globo, apresentou uma reportagem sobre o custo da corrupção em obras de infraestrutura do Brasil. A conclusão é estarrecedora: R$ 300 bilhões em desperdício. O resultado: obras inacabadas e investimentos paralisados. A conta foi feita pelo economista Claudio Frischtak, doutor em economia pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. “Não tinha projeto executivo, às vezes nem mesmo projeto básico. Você vai fazer uma obra na sua casa sem projeto? Qual é a tendência? Dar errado, vai custar mais, atrasar e o bem-estar dessa reforma vai ser adiado. A mesma coisa aconteceu no nosso país”, afirmou Frischtak, que fez carreira no Banco Mundial.

CORRUPÇÃO EM OBRAS FEDERAIS

Nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 18 obras realizadas pelo Governo Federal, houve 136% de aumento de custos e 132% de aumento de prazo. Mesmo assim, 15 delas não estão prontas até hoje. A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, já consumiu R$ 66,5 bilhões, sendo que deveria ter custado “só” R$ 10 bilhões. A Ferrovia Norte-Sul teve R$ 400 milhões em aditivos, segundo a reportagem exibida no dia 04/06/2017. Calcula-se que, com toda essa verba desviada seria possível universalizar o saneamento básico no Brasil, quadruplicar as redes de metrô de São Paulo e do Rio de Janeiro ou então colocar 8 milhões de crianças em creches. Veja aqui a reportagem completa do Fantástico.

DENÚNCIAS DO CAU/BR

A reportagem do Fantástico destaca denúncias que as entidades nacionais de arquitetura e urbanismo apresentam à sociedade desde 2013. Para o CAU/BR, IAB e demais entidades, a Lei de Licitações do Brasil precisa exigir projeto completo em todas as obras públicas do país e separar projetistas e construtores. “Afirmamos que a falta de Projeto Completo na licitação da obra é fator determinante para a baixa qualidade e aumentos de custo e de prazo”, diz documento assinado pelo CAU/BR e mais dez entidades de Arquitetura e Engenharia. Leia aqui.

RDC: REDUÇÃO DE PRAZO DE CONTRATAÇÃO É IRRELEVANTE

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), feita a pedido da Comissão de Meio Ambiente do Senado, comprovou que os ganhos com a maior celeridade da licitação por Contratação Integrada – RDC eram perdidos nas fases de projeto e obra. O estudo se baseou nas licitações de estradas realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) desde 2007.

Contratação integrada é usada sem critério legal, revela Tribunal de Contas da União

TCU diz que Contratação Integrada-RDC encarece obra

Clique aqui para baixar o trabalho de auditoria do TCU sobre o RDC

“Os indícios de irregularidade atinentes à execução das obras, caracterizados essencialmente por atrasos de cronograma e deficiências na qualidade dos serviços executados, indicam que o possível benefício advindo da celeridade obtida no processo de contratação de obras por meio do RDC-Contratação Integrada pode não estar ocorrendo de fato. Ou seja, a eventual celeridade na etapa inicial da obra não estar conduzindo a ganhos de eficiência na fase pós licitatória”, releva trabalho do TCU.


Via IAB/DN

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