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Geração Z: 6 provas de que a arquitetura e as cidades estão sendo redefinidas

Artigos, Projeto
20/11/2018
Trecho do Artigo publicado originalmente na ArchDaily, escrito por Matheus Pereira.

Nos últimos vinte anos, o mundo nunca esteve tão conectado. Na transição do século, a digitalidade parece ter invado as camadas analógicas e redefinido padrões, estilos de vida, interações e a maneira como nos conectamos e utilizamos os espaços. Essa redefinição social é fortemente atribuída à chamada Geração Z, ou seja, o grupo de pessoas definido por aqueles nascidos na transição do século XX ao XXI, entre as décadas de 1990 e 2010. Mas você conhece as características deste grupo?

Historicamente, a definição das diferentes gerações iniciou-se a partir da nomenclatura atribuída aos grupos de pessoas nascidas em diferentes momentos a partir da segunda metade do século XX. Nesse quesito, os baby boomers, como são chamados aqueles pertencentes à Geração X – grupo de pessoas classificados entre os nascidos entre as décadas de 1960 e 1970, notadamente após a segunda Guerra Mundial –, caracterizada pela busca do sucesso profissional de maneira precoce e consequentemente, conquista da casa própria e construção familiar under 30. Enquanto isso, os Millenials, como denominados o grupo pertencente a Geração Y e nascidos entre a década de 1970 e 1990, são os pioneiros da Internet. Inovadores, foram os primeiros a dar um passo em direção à chamada Era Digital e produzir os primeiros computadores, games, e-mails e redes sociais, permitindo aperfeiçoamentos na comunicação a distância. Agora, a Geração Z tem mudados os panoramas de comunicação, produção e apropriação do espaço, em que a tecnologia passa a ser uma ferramenta para facilitar o cotidiano, tornando-se um imprescindível.

De acordo com relatório publicado em 2018 pela WGNS (Worth Global Style Network) – empresa líder mundial em serviços de coolhunting, pioneira no segmento de previsão de tendências nos segmentos de estilo de vida, arquitetura, design e moda –, a geração Z pode ser subdividida em duas categorias: “Gen We” e “Gen Am”, ou seja, a primeira nomenclatura diz respeito a “Geração Nós”, focada no coletivo e necessidades da população enquanto grupo, ao passo que a segunda nomenclatura, “Geração Eu” [1] é aquela focada no singular e nos deveres individuais. No entanto, apesar da aparente subdivisão, ambas apresentam como ponto em comum a conectividade enquanto ferramenta que fornecerá mudanças radicais nos próximos anos a partir de uma velocidade antes inalcançada, trabalhando uma série de valores intelectuais em conjunto.

De acordo com o jornal Estadão, somente em maio de 2016 eram mais de 2 bilhões de Zs em todo o mundo e de acordo com expectativas, até 2023 se tornarão “o maior grupo atuante no mundo”[2]. Este número revela a capacidade de geração de bilhões anualmente e o novo motor da economia a nível mundial, uma vez que as mudanças nos paradigmas, modos de produzir e consumir são as mesmas que movem uma corrente de indústrias e mercados em todo o mundo – entre eles, o setor imobiliário e urbano.

Possivelmente, ao ler os parágrafos iniciais deste artigo, você tenha atribuído as mudanças citadas à cadeia de produtos eletrônicos e matéria tangível, mas engana-se. Os Zs estão conquistando o mundo com nova filosofia e meios de percepção e uso do espaço. Se anteriormente, casais casavam-se muito jovens, na faixa dos vinte anos, agora, o prolongamento da vida de solteiro apresenta estatísticas consideráveis e, consequentemente, um estilo de vida nômade de moradia. Isto nos revela que jovens têm preferido alugar apartamentos a ter que comprar determinadas propriedades sem a opção de transferir-se e conhecer novos bairros. Desta forma, apartamentos hypados, “descolados” e pops veem sendo construídos a partir do entendimento deste novo perfil, e construtoras têm apostados nas pesquisas de coolhunting que anteciparam tendências em pelo menos 10 anos, tempo médio para investimentos imobiliários.

Máquina do tempo, carros voadores… Os filmes erraram e o que era previsto nas telas parece ter tomado outro rumo; o futuro é o hoje. Nanotecnologia, drones, aplicativos, dispositivos mobile, leitura digital, automação: essas são apenas algumas das inúmeras possibilidades que vêm moldando o presente. Compilamos a seguir alguns temas recorrentes da apropriação das cidades pela Geração Z.

A casa é o lar. Mas o lar é o home office: Projetando a partir da ideia de desapego e com um aspecto peculiar, entendido como os novos nômades, esta geração é caracterizada pela transição do lar num curto período de tempo, a partir da ideia de que almejam viajar, conhecer novos lugares do mundo, adquirir novos conhecimentos culturais e, ainda, quando no país de origem, conhecer novos bairros e grupo de pessoas. Nesse sentido, aspirando experiências diversas, passam ocupar espaços residenciais mínimos, quase remodelando a ideia de que “menos é mais”. Junto a isso, com menor interesse no casamento precoce e em ter filhos, optam por espaço menores que ora funcionam como residencia, ora como home office. A partir da remodelação de uma série de empresas que dispensam seus funcionários em dias pré-determinados, ou sob a ideia de jovens independentes buscarem cada vez mais a autonomia de seus negócios, a casa também dá lugar ao espaço de trabalho.


Veja o texto completo em: https://www.archdaily.com.br/br/906494/geracao-z-6-provas-de-que-a-arquitetura-e-as-cidades-estao-sendo-redefinidas

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