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A primeira eleição do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU)

 

 

Laércio de Araújo, arquiteto e conselheiro federal eleito para o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) no Paraná

Gazeta do Povo em 09/11/2011 | Ana Carolina Nery

A primeira eleição do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) confirmou os 32 arquitetos da Chapa de União (única) como os representantes paranaenses da autarquia exclusiva para a categoria, criada pelo governo federal no final do ano passado (lei n.º 12.378). Foram computados 3.083 votos à favor da chapa, 72,23% do total de 4.268 eleitores que foram às urnas no Paraná. Houve ainda 338 votos em branco e 845 nulos.

O arquiteto Laércio de Araújo foi eleito conselheiro federal, tendo como suplente o arquiteto Sal­­vador Gnoa­­to. Outros 15 nomes com­­põem a lista de conselheiros estaduais titulares, com um su­­plente cada. A posse será no dia 17 de no­­vembro desse ano e a primeira gestão vai até 31 de de­­zem­­bro de 2014. Para Araú­­jo, uma im­­portante conquista e um gran­­de desafio. “Lu­­ta­­mos por mais de 50 anos por um con­­selho específico. Será de­­safiador para todos os ar­­qui­­tetos, não só para a ca­­tegoria, mas aos conselheiros eleitos.”

Em entrevista para a Gazeta do Povo, Araújo falou sobre o desafio de compor e comandar os primeiros anos do CAU e sobre as prioridades à frente da recém criada autarquia federal. Confira os principais trechos da entrevista.

Voto obrigatório
3,3 mil precisam justificar no PR

Como o voto era obrigatório, os arquitetos e urbanistas ausentes no dia da eleição do CAU precisam protocolar justificativa no Conselho do seu domicílio eleitoral até 120 dias após a votação, que foi no dia 26 de outubro de 2011, sob pena de multa, no valor de uma anuidade, previsto em R$ 350 por lei. Informe-se pelo site www.cau.org.br
Quais as principais ações previstas para os três primeiros anos do CAU?

Será principalmente um grande fórum de discussão sobre a nossa formação profissional. Hoje as escolas superiores são registradas pelo Ministério da Edu­­cação e é ele que faz a discussão sobre o currículo do curso. Não são profissionais da área que definem questões como carga horária por disciplina. Uma co­­missão específica será formada para tratar da formação profissional. Inclusive teremos, além dos 27 conselheiros federais pa­­ra cada UF do país, um 28.º conselheiro que representará as instituições de ensino.

E em relação à prática profissional, qual o maior desafio?

Algo que é muito concreto e uma preocupação é que hoje 80% das edificações não têm autoria ou são irregulares, ou seja, as pessoas estão construindo sua habitação sem assistência técnica. Quere­­mos que o direito da arquitetura seja exercido com qualidade, do projeto ao acompanhamento da obra. A ideia é que os três níveis do governo reservem recursos para esse tipo de assistência. Além disso, queremos proteger a so­­ciedade contra o exercício irregular ou inadequado da nossa profissão.

Quais outras bandeiras o CAU pretende erguer no início das atividades, a partir do ano que vem?

Queremos que toda obra pública tenha concurso público, para atrair maior qualidade ao espaço coletivo. Outra questão é em relação à lei de licitação. Hoje é exigido apenas o projeto básico, uma espécie de anteprojeto. A intenção é que seja obrigatória a apresentação do projeto completo, não somente o básico, mas com parte elétrica, hidráulica e estrutural.

Mesmo sendo um pleito com voto obrigatório, a eleição do CAU teve a participação de pou­­co mais da metade dos profissionais do Paraná. A que o senhor atribui o índice de participação e como poderia atrair mais a categoria?

A greve dos Correios e o fato de termos muitos endereços desatualizados atrapalharam um pouco a eleição, pois as senhas foram enviadas para os endereços informados pelos próprios profissionais. Além disso, o voto para arquitetos e urbanistas com mais de 65 anos era facultativo, o que também provocou uma quebra. Foram dificuldades severas, mas certamente au­­mentaremos a participação à medida que fizermos o recadastramento de todos os profissionais, atividade prevista para acon­­tecer no ano que vem.